LICENÇA CRÔNICA: ANAXIMANDRO AMORIM
Cultura

LICENÇA CRÔNICA: ANAXIMANDRO AMORIM



Anaximandro Amorim (1978) é escritor, advogado, bacharel em Direito pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e pós-graduado em Direito pela Escola da Magistratura do Trabalho da 17ª Região (EMATRA - 17ª Região). Membro da Associação dos Professores de Francês do Estado do Espírito Santo (APFES), do Conselho Estadual de Cultura, da Academia Espírito-Santense de Letras e da Academia de Letras Humberto de Campos, de Vila Velha/ES. Confira, abaixo, a crônica “O direito de envelhecer”:

O DIREITO DE ENVELHECER

“Somente os tolos se lamentam de envelhecer”

Cícero (106 – 43 aC)

Esses dias, eu me peguei espantado com uma matéria que vi num desses sites da vida. Era uma galeria de fotos de celebridades do sexo feminino com e sem maquiagem. Beldades que sempre povoaram o nosso imaginário apareciam desnudadas de pó compacto e eram mostradas, sem retoques, com todos os seus defeitos, manchas na pele e rugas, sobretudo. Acho que matérias como essa nos espantam porque mostram que a lei da gravidade é cruel com todos. Trocando em miúdos: parece que, hoje em dia, celebridades são proibidas de envelhecer. E, para piorar, nós, simples mortais, também!

Vivemos cercados por uma patrulha velada, a da chamada “ditadura da beleza”. Ela é pior que qualquer caudilho, pois consegue estar, eficazmente, em todos os lugares, nos apelos comerciais, nas tevês e nas revistas. É um padrão praticamente inalcançável, que está fabricando uma massa de infelizes. Fiquei pasmo ao ler coisas do tipo “Sharon Stone tem celulite”. Ela é uma belíssima cinquentona e tem todo o direito de ter! É como diria um amigo meu: “só não envelhece quem morre cedo” e é por isso que pessoas como Marylin Monroe, James Dean, Kurt Kobain, dentre tantos, serão sempre eternizados em nossas mentes com seus rostos lisos e sua juventude eterna.

Mas... quem nunca se viu dizendo “nossa, como fulano(a) envelheceu?”. Engraçado isso, porque estamos todos envelhecendo juntos. Neste instante mesmo, em que você lê esta crônica, você já envelheceu mais um pouco! Ok, não estou falando de uma ou outra pessoa específica. Tem gente que, por um motivo ou outro, chega lá mais cedo. Mas, é no mínimo espantoso ouvir de gente de 24, 25, 28 anos, afirmar, categoricamente: “estou velho(a)”. Engraçado que, aos 33, ainda me sinto jovem, mas, quando digo isso, faço muitos dos meus alunos caírem na gargalhada. Será que essa geração está com um ciclo biológico mais acelerado que o meu?

Acho que nosso mundo de hoje está nos levando até uma encruzilhada. De fato, os avanços da tecnologia estão correndo de maneira tal que tudo fica obsoleto num piscar de olhos. O problema é quando achamos que essa obsolescência tem a ver com os seres humanos. Aí, começam as distorções: vejo academias lotadas e gente malhando de segunda a segunda, desgastando ainda mais seus corpos; pessoas que querem músculos a qualquer preço, se enchendo de anabolizantes, mostrando a balela que foi a chamada “geração saúde” das décadas passadas; e pessoas que não aceitam os efeitos do tempo e que, muitas vezes, no afã de manterem a cara dos 20 a qualquer custo, se submetem a constantes cirurgias plásticas, tornando-se verdadeiras caricaturas de si mesmas.

O pensador latino Cícero (106 – 43 a C) foi o autor de uma obra que gostaria de ler: “A Arte de Envelhecer”. Aliás, acho que todo mundo, hoje em dia, deveria ler esse livro! Realmente, envelhecer é uma arte e, numa era em que as pessoas estão mais preocupadas em se encher de botox do que de conteúdo, ficar velho com dignidade é um feito! O maior exemplo disso, para mim, é a atriz francesa Catherine Deneuve. Sim, ela já fez algumas plásticas aqui e acolá, tudo bem leve. Ícone de uma beleza madura, lúcida, ela nunca fez nada que tentasse mascarar as suas sete décadas de vida. Porque, ao contrário do que a matéria que vi insinuava, celebridades e anônimos têm direito a envelhecer. Eu, pelo menos, quero ter a liberdade de me fazer valer desse direito.

16 de abril de 2012, Dia de Nossa Senhora da Penha.




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